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Telefonista morre em “call center” e colegas são obrigados a trabalhar com cadáver, na Espanha

Mesa de Inma, atendente que morreu durante expediente em "call center", na Espanha
Mesa de Inma, atendente que morreu durante expediente em “call center”, na Espanha – Foto: Reprodução

Empresa obrigou equipe a continuar atendendo às chamadas durante duas horas e 40 minutos, enquanto corpo da funcionária ainda estava no local

Inmaculada, de 57 anos, carinhosamente chamada de Inma pelos colegas de trabalho, funcionária de um escritório de telemarketing, em Madrid, na Espanha, morreu após sofrer um infarto, durante o expediente na última terça-feira. Mesmo com o corpo da mulher ainda no local, a empresa obrigou os demais atendentes a permanecerem no posto por duas horas e 40 minutos, recebendo ligações dos clientes.

A mão de Inma se levantou na sala de call center, onde são atendidos clientes da empresa de energia Iberdrola, chamando a coordenadora da equipe. Os telefonistas são treinados para solicitar ajuda dos supervisores, caso precisem de assistência técnica para auxiliar os consumidores.

No entanto, Inmaculada, precisava de ajuda médica. Quando ela desabou, um colega precisou segurá-la na cadeira, para que não caísse. Os funcionários ainda tentaram reanimá-la, mas sem sucesso.

O caso aconteceu por volta das 12h30, em um escritório na zona leste de Madrid, um dos vários call centers da multinacional espanhola Konecta BTO. De acordo com a confederação que representa os trabalhadores do setor do telemarketing na Espanha (Confederación General del Trabajo del Sector Federal de Telemercadeo – CGT Telemarketing), após o ocorrido, os responsáveis pela empresa orientaram a equipe continuasse a receber as chamadas e não interrompesse o serviço, mesmo enquanto o cadáver ainda estava no local.

A sala, localizada na rua San Romualdo, no bairro de San Blas, é barulhenta e contém cerca de 70 mesas de atendimento ao cliente. Os intervalos, de cinco minutos a cada hora, são rigidamente cronometrados e, segundo funcionários, os supervisores cobram a manutenção de um ritmo quase frenético de trabalho. Ao desligar o telefone, eles têm exatos 23 segundos para preencher a ficha do cliente atendido, pois é esse o tempo que um robô leva para discar automaticamente o próximo número.

Inma estava na empresa há pouco mais de quinze anos e as causas exatas do ataque cardíaco ainda não são conhecidas. A confederação afirmou que enviou uma equipe diretamente à sede da empresa quando soube que os funcionários não haviam parado de trabalhar, mesmo com o falecimento da colega.

— Quando entramos no 6.º andar, tudo parecia um filme de terror. Ao lado da mulher, alguém atendia uma chamada. O serviço continuou como se nada tivesse acontecido — relatou a Confederação.

No dia após a tragédia, a mesa de Inmaculada foi transformada, pelos colegas, em um altar com fotos, flores e a mensagem “Adeus, Inma”.

A confederação de trabalhadores de telemarketing reafirmou que houve falta de humanidade, empatia e respeito, não só pela funcionária, mas por toda a equipe. Além disso, solicitaram uma reunião com o Comitê de Saúde e Segurança da empresa para exigir o reconhecimento do acontecimento, chegar a acordo sob a forma como o caso será investigado e estabelecer um protocolo de ação em situações semelhantes.

A CGT Telemarketing emitiu uma nota condenando veementemente a conduta da empresa, que alegou prestar serviços essenciais e, por isso, não interrompeu as atividades após a morte da funcionária.

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