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Nasa lança programa Artemis, que poderá levar novamente o homem à lua até 2025

 (Foto: AFP)
Foto: AFP
Cinquenta anos depois da última missão com destino à Lua, a Nasa lançou, com sucesso, a espaçonave Orion, que inaugura uma nova era da exploração espacial. Depois de cinco tentativas frustradas, à 1h47 (3h47 de Brasília) de ontem, o foguete mais poderoso já construído decolou da plataforma de lançamento 39B, no Centro Espacial Kennedy, na Flórida. O voo não tripulado foi a primeira etapa do programa Artemis, que deverá levar novamente o homem ao satélite da Terra e, depois, a Marte.
A bordo do Sistema de Lançamento Espacial (SLS), a Orion partiu rumo a uma viagem de mais de 64 mil quilômetros e 25,5 dias. O teste é considerado uma etapa crítica das futuras explorações tripuladas da Lua e do planeta vermelho, pois avaliou a segurança de um foguete desenvolvido há mais de 10 anos e que, agora, é considerado o mais poderoso do mundo.
O SLS foi e voltou da plataforma de lançamento cinco vezes antes de, enfim, decolar. A passagem do furacão Ian adiou a jornada em 26 de setembro e, um mês depois, duas tentativas foram canceladas devido a um defeito em um sensor de temperatura. Em 4 de setembro, o vazamento de hidrogênio líquido em uma interface entre o foguete e o lançador móvel postergou novamente a missão. Finalmente, na segunda-feira, a tempestade tropical Nicole frustrou mais um anúncio da viagem. “Demorou muito para chegar aqui, mas a Orion agora está a caminho da Lua”, disse Jim Free, administrador associado da Agência Espacial Norte-Americana. “Esse lançamento bem-sucedido significa que a Nasa e nossos parceiros estão no caminho para explorar mais longe no espaço do que nunca, para o benefício da humanidade.”

“Que visão incrível ver o foguete do Sistema de Lançamento Espacial da Nasa e a espaçonave Orion serem lançados juntos pela primeira vez”, comemorou Bill Nelson, administrador da agência. “Esse teste de voo não tripulado levará Orion aos limites do espaço profundo, nos ajudando a nos preparar para a exploração humana na Lua e, finalmente, em Marte”, completou. “O que foi feito hoje vai inspirar as gerações futuras, obrigada!”, afirmou Charlie Blackwell-Thompson, primeira mulher diretora de lançamento da Nasa, ao parabenizar a equipe.
Já trabalhando
Assim como nas tentativas anteriores, não foi fácil abastecer o foguete com os mais de 2,7 milhões de litros de hidrogênio e oxigênio líquidos. Um vazamento do combustível criogênico, altamente inflamável, na base do foguete exigiu reparos técnicos durante quase uma hora. Porém, desta vez, o SLS não precisou voltar para a garagem, deixando para trás duas imensas bolas de fogo, enquanto partia para a Lua.
Depois de atingir a órbita inicial, a Orion implantou os painéis solares, e os engenheiros começaram a realizar verificações dos sistemas da espaçonave. Depois de uma hora e meia de voo, o motor do estágio superior do foguete disparou com sucesso por aproximadamente 18 minutos, para dar a Orion o grande empurrão necessário para enviá-lo para fora dos limites da Terra, e em direção ao satélite.
Os trabalhos científicos da Orion começaram ontem mesmo, com a demonstração da tecnologia dos CubeSats, pequenos satélites implantados na espaçonave. Além disso, as câmeras instaladas no equipamento enviaram fotos de ângulos inéditos, publicadas pela Nasa no Twitter. Nos próximos dias, os controladores da missão no Centro Espacial Johnson, em Houston, farão verificações adicionais e correções de curso, se necessário. A expectativa é de que a Orion sobrevoe a Lua em 21 de novembro.
Escudo térmico
Ao custo de US$ 4,1 bilhões, Artemis 1 deve abrir as portas para a exploração de Marte, mas, antes do destino, ainda haverá missões tripuladas para a Lua, provavelmente em 2024 e 2025. Embora a principal missão do sistema seja testar a segurança, a Orion também coletará amostras para futuros experimentos na Terra. Outro importante teste da viagem é a segurança do escudo térmico, que terá de suportar temperaturas equivalentes à metade da do Sol.
O pouso no Oceano Pacífico está previsto para 11 de dezembro. “Tudo o que planejamos fazer na superfície lunar é para explorar a ciência. Não estamos indo apenas para colocar ‘bandeiras e pegadas’, como algumas pessoas se referem à Apollo”, afirmou Cathy Koerner, vice-administradora associada da Nasa, em setembro, na véspera do primeiro lançamento frustrado.
Há “passageiros”
Embora não tripulada, a Orion carrega um “astronauta”, o manequim Moonikin Costa. Ele viaja coberto de sensores para medir os efeitos da vibração e radiação espacial no corpo humano. No total, 54kg de objetos, incluindo bandeiras, peças de lego e um pedaço do foguete Apollo, fazem parte da carga da espaçonave, que também leva um boneco Snoopy, vestido com o característico macacão laranja. “É oficial, Snoopy está a bordo da Orion!”, postou, no Twitter, a conta oficial do personagem.
Esforço de décadas
“Se a missão Artemis I for concluída com sucesso, o programa continuará com Artemis II. Isso acontecerá em 2024 e levará quatro astronautas ao redor da Lua. Mas eles não descerão à sua superfície: terão que se contentar com uma visão de perto e voltar para casa. Finalmente, por volta de 2025, a missão Artemis III, que levará a primeira mulher à superfície lunar, poderá ser lançada. Quando isso acontecer, um esforço que começou há duas décadas e foi adiado por guerras políticas, cortes orçamentários e mau planejamento estará completo. Caso essas datas não sejam cumpridas, teremos que ficar de olho nos outros jogadores que disputam a corrida para voltar à Lua. A China está tentando não fazer muito barulho, mas está demonstrando ter um programa espacial muito sólido e anunciou a intenção de enviar astronautas ao nosso satélite no fim desta década. E, depois, há Elon Musk, Jeff Bezos e outros empresários com ilusões de cowboy do século 21, que sonham em tornar o turismo espacial lucrativo. Mas não vamos nos antecipar. Por enquanto, vamos aproveitar o sucesso do lançamento de hoje (ontem) e esperar que a missão Artemis I termine bem. Se isso acontecer, teremos dado um salto impressionante para o futuro. Um futuro emocionante em que habitaremos outros mundos, para nunca mais voltar.”
Miquel Sureda, professor e pesquisador da Universidade Politécnica da Catalunha e especialista em exploração espacial tripulada.

Por: Paloma Oliveto

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