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Futura ministra da Saúde tem como meta fortalecer o SUS e a vacinação

 (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Nísia Trindade Lima, a primeira mulher a assumir o Ministério da Saúde, prometeu ontem, ao ser anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva como nova ocupante da pasta, fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS) e o Programa Nacional de Imunização (PNI). “No início do ano, já estaremos com estas metas anunciadas”, afirmou.

A futura ministra antecipou que o PNI se tornará um departamento e que pensará “a imunização como um esforço nacional, que vai passar pela Saúde, pelas escolas, pela área de Desenvolvimento Social”. “Sabemos que uma melhoria na gestão e facilitar o acesso das pessoas e famílias que levam as crianças é um elemento muito importante nesse processo, então esse vai ser nosso olhar”, disse.

O posicionamento vem em meio a um contexto preocupante, em especial para as crianças. Segundo análise do Observatório de Saúde na Infância da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a vacina BCG, que protege contra a tuberculose provocada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis, é a única do calendário infantil que bateu a meta de cobertura em 2022.

Imunizantes aplicados após um ano de idade, como a tríplice viral, contra sarampo, caxumba e rubéola, a tetra viral e a vacina contra hepatite A, configuram uma cobertura de menos de 50% da população-alvo. “O Zé Gotinha que está aqui como símbolo vai nos acompanhar aí por um bom tempo”, afirmou Nísia Trindade.

A tarefa da ministra não será fácil. Pelo levantamento do Grupo de Trabalho da Saúde do gabinete de transição, além da grave crise sanitária causada pela pandemia de Covid-19, que causou quase 700 mil mortes, e da redução significativa da cobertura vacinal de diversos imunizantes, foi identificada uma queda acentuada de consultas, cirurgias, procedimentos diagnósticos e terapêuticos realizados pelo SUS.

“A prioridade é usar todo o potencial do SUS, tanto os serviços próprios como também toda a área que envolve os hospitais filantrópicos, que respondem hoje por 50% das internações do sistema público, além do setor privado, para um grande esforço. Não de acabar com uma fila, mas de colocarmos critérios, indicarmos e sinalizarmos encaminhamentos de prioridade, darmos transparência a esse processo e atuarmos na regulação”, assinalou.

Outro aspecto que deve trazer dores de cabeça à nova gestão está no “apagão de dados” que ocorreu nos sistemas do Ministério da Saúde, após um ataque hacker em dezembro de 2021. A recuperação do sistema de informações é um dos focos do trabalho para a nova gestão não agir às cegas.

“Há muitos dados fundamentais, como os de vacinação. Dados que precisamos ter até uma ação que vinha sendo feita, e eu acompanhei de perto, que é o monitoramento da efetividade das vacinas, por exemplo a da Covid-19, mas não só”, observa. “Isso é fundamental em todas as áreas e na saúde nem se fala. Tivemos, inclusive, dificuldades até porque existe a determinação de sigilo de dados de estoque de vacinas,

O presidente do Conselho Nacional de Saúde (CNS), Fernando Pigatto, parabenizou a escolha e destacou a parceria entre o órgão e a Fiocruz, fortalecida durante a pandemia. “A indicação da ministra da Saúde do novo governo renova a esperança do povo brasileiro no fortalecimento do SUS. Nosso sentimento é de alegria e temos certeza de que ela vai realizar um grande trabalho”, disse.medicamentos. Então vamos lidar com a checagem dessas informações para um planejamento adequado.”

Quem é Nísia?

Esta não é a primeira vez que Nísia Trindade Lima quebra barreiras de gênero. Ela se tornou a primeira presidenta da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em 2017, e liderou ações do instituto no combate à Covid-19. Responsável pela criação do Observatório Covid-19, ela articulou e coordenou a parceria entre o Ministério da Saúde, a Universidade de Oxford e a farmacêutica AstraZeneca para produção e distribuição de imunizantes no país.

Formada em Ciências Sociais e com doutorado em Sociologia, Nísia é pesquisadora da Fiocruz desde 1987 e passou pelos cargos de diretora da Casa de Oswaldo Cruz (1998-2005), unidade da Fiocruz, e vice-presidente de Ensino, Informação e Comunicação da Fiocruz (2011-2016).

Por: Ândrea Malcher – Correio Braziliense

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