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Campos Neto reforça que a taxa de juros não vai cair por agora

 (Foto: Alessandro Dantas/AFP)
Foto: Alessandro Dantas/AFP

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, reforçou o alerta de que ainda não é possível afrouxar a política de aperto monetário adotada desde março de 2021, apesar da desaceleração recente da inflação, e voltou a defender o atual regime de metas. De acordo com o chefe da autoridade monetária, a inflação ainda continua dando sinais de que é persistente e as expectativas do mercado para 2024 e 2025 “continuam desancoradas”.

“Como temos argumentado, o processo de desinflação deve continuar, porém, de forma não linear, pois o núcleo de inflação está mais resiliente devido à difusão da inflação”, alertou Campos Neto, ontem, durante discurso de abertura da primeira Conferência Anual do Banco Central.

Segundo ele, um dos componentes que tem influenciado essa persistência inflacionária está relacionado à alta de preços no setor de serviços, que tende a ser mais ampla, tanto no Brasil quanto em outros países. O presidente do BC ressaltou que, embora tenham ocorrido progressos na condução da política monetária, ainda há desafios para consolidar a inflação em níveis mais baixos.

O chefe da autoridade monetária brasileira, que participou do evento de forma remota por problemas de saúde, destacou que o processo de desinflação no Brasil começou antes de outros países, porque o Banco Central brasileiro percebeu que a inflação resultante dos impactos da pandemia da covid-19 e da guerra na Ucrânia é mais duradoura.

Na avaliação de Campos Neto, o recuo do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do pico de 12,1%, em abril de 2022, para 4,1%, em abril deste ano, foi resultado do processo de aperto monetário iniciado em março de 2021, quando o BC iniciou a alta da taxa básica da economia (Selic), que estava em 2% ao ano.

“No segundo semestre de 2002, o principal fator na redução da inflação foram os cortes de impostos sobre combustíveis, serviços de eletricidade e de telecomunicações. Mas a diminuição da inflação também se deve ao ciclo de aperto da política monetária empreendida pelo Banco Central”, afirmou.

Pelas estimativas do mercado, que voltou a elevar as projeções para o IPCA deste ano, a inflação oficial deverá encerrar 2023 em 6,03%, acima do teto da meta oficial, de 4,75%. Para 2024 e 2025, as medianas das projeções estão em 4,15% e 4%, respectivamente, ambas acima do centro da meta, de 3%, mas dentro do limite de tolerância, de 4,5%.

Por: Rosana Hessel – Correio Braziliense

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