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Após reunião, Lula e Lira negociam para destravar PEC da Transição

 (Foto: Ed Alves/CB/D.A.Press)
Foto: Ed Alves/CB/D.A.Press
A 48 horas da provável votação da PEC da Transição, o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reuniu, ontem, pela terceira vez, com o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), no hotel onde está hospedado, em Brasília. A conversa entre eles foi no sentido de destravar a tramitação da proposta de emenda constitucional, que enfrenta problemas porque o deputado negocia postos no futuro governo e deseja fechar um acordo que contemple os dois lados. Na semana passada, informações deram conta de que Lira “garantiu” os votos de 150 parlamentares em troca do Ministério da Saúde e do comando do Banco do Nordeste e da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf).
A conversa durou aproximadamente duas horas. Lula, porém, reluta em entregar um ministério de grande capilaridade e orçamento, como o da Saúde, a alguém que não faz parte da frente de partidos que comporá a futura base governista. Isso não quer dizer que Lira ficará com as mãos abanando: o presidente eleito avalia conceder ao deputado as indicações para pastas como Desenvolvimento Regional ou Minas e Energia.
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A expectativa é que, em paralelo ao começo da tramitação da PEC da Transição, Lula faça novos anúncios de ministro. Ele deve se reunir hoje com o empresário Pedro Wongtschowski, do Conselho de Administração do Grupo Ultra, cotado para ocupar o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. Isso porque Josué Gomes da Silva, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), declinou do convite por não querer se afastar das atividades empresariais — o encontro entre ele e o presidente eleito foi no sábado.
No último dia 7, o Senado aprovou em dois turnos a PEC da Transição, que retira do teto de gastos R$ 145 bilhões para o pagamento do Auxílio Brasil (que voltará ma ser chamado de Bolsa Família a partir de 1º de janeiro de 2023) e do adicional de R$ 150 por criança de até seis anos. Para ser aprovada no Congresso, o texto precisará dos votos de ao menos 308 dos 513 deputados.
Entraves no time de Haddad
O futuro ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou até agora apenas dois nomes que irão compor a sua equipe. Gabriel Galípolo, ex-presidente do Banco Fator, será o secretário executivo do Ministério, enquanto o economista Bernard Appy será o secretário especial para a reforma tributária.
Um dos principais entraves para a definição dos outros nomes que vão compor a equipe é a escolha dos ministros do Planejamento, da Gestão e da Indústria, que têm impacto no xadrez da formação do corpo técnico que vai integrar a equipe da Fazenda. Guilherme Mello, por exemplo, cotado para integrar a pasta, também é citado para o BNDES, já que ele e o presidente indicado para o banco, Aloizio Mercadante, são muito próximos.
O PT quer ampliar sua participação nos ministérios econômicos. Por outro lado, Geraldo Alckmin não conseguiu emplacar nenhum nome até o momento para a futura equipe econômica. Coordenador do governo de transição, o vice-presidente eleito chegou a sondar Felipe Salto, secretário de Fazenda de São Paulo.
Entre os economistas do mercado, a avaliação é de que ainda falta um nome forte para a área fiscal. Haddad tem feito entrevistas em São Paulo, mas deve voltar hoje para Brasília e dar prosseguimento às conversas. Um dos nomes que surgiram na bolsa de apostas para essas negociações é o do secretário de Fazenda do Paraná, Renê Garcia Júnior, que já foi secretário de Estado de Controle Geral do Governo do Rio de Janeiro, presidente da Fundação Pró-Coração (Fundacor), superintendente da Superintendência de Seguros Privados (Susep) e membro do Conselho de Administração do BNDESPar/BNDES.

Por: Ingrid Soares – Correio Braziliense

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