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Alimentos puxam inflação oficial de janeiro, que sobe 0,53%

 (Foto: Arquivo/Agência Brasil)
Foto: Arquivo/Agência Brasil
A inflação oficial, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), registrou alta de 0,53% em janeiro e acumulou elevação de 5,77% em 12 meses, puxada, principalmente, pelo aumento de preços dos alimentos, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O destaque foi a cenoura que encareceu 17,55% no mês.
O resultado ficou abaixo da mediana das estimativas do mercado, de 0,55%, e mostrou desaceleração em relação ao 0,62% registrado no mês anterior. Para analistas, contudo, não dá para comemorar, porque o ritmo mais lento da carestia teve a ajuda das desonerações de tributos sobre combustíveis, iniciadas na gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que foram prorrogadas pelo novo governo até o fim deste mês, no caso da gasolina e do etanol.
Os prognósticos para o IPCA dos próximos meses não são animadores, porque indicam inflação mais acelerada. Além disso, a dispersão da alta de preços continua elevada, acima de 60%, apesar do recuo em relação a dezembro, passando de 69% para 63%. Para fevereiro, as projeções para o IPCA variam entre 0,7% e 0,8%.
 (Foto: editoria de arte/CB)
Foto: editoria de arte/CB
“Está muito longe de o governo poder comemorar essa desaceleração. Ela foi muito pequena, e o setor de serviços ainda está com inflação bem alta”, destacou o economista André Braz, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV/Ibre), em referência ao avanço de 0,44% para 0,60% na inflação de serviços, de dezembro para janeiro. Ele lembrou que, em fevereiro, o reajuste das mensalidades e de materiais escolares deve pressionar os preços. E, em março, vai ter o aumento dos combustíveis pela volta dos impostos federais. “Então, não vai dar para comemorar a curto prazo. A inflação continua no radar nos próximos meses”, alertou Braz, que prevê alta de 0,70% no IPCA de fevereiro.
Como é um mês de férias, janeiro costuma mostrar certa desaceleração na carestia, principalmente por conta das liquidações que, no mês passado, fizeram os preços de vestuário registrarem queda de 0,27% — a única deflação entre os nove grupos pesquisados. O grupo de alimentos e bebidas, com alta de 0,59% no mês passado, teve o maior peso na inflação oficial, de 0,13 ponto percentual.

Pelos cálculos do economista do Ibre, se não fossem os subsídios dos combustíveis — em vigor desde a segunda metade de 2022, no vale-tudo da campanha eleitoral do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) —, o IPCA acumulado em 12 meses teria ficado, pelo menos, dois pontos percentuais acima do que se viu no mês passado. Ou seja, a taxa seria de 7,77%, bem acima do teto da meta para a inflação deste ano, de 4,75%.
Vale lembrar que a mediana das previsões do mercado para o IPCA deste ano não para de subir e está próxima a 6%, em meio ao aumento das incertezas por conta das críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao elevado patamar da taxa básica da economia (Selic), atualmente em 13,75% ao ano, e ao Banco Central.
Fabio Romão, economista da LCA Consultores, reforça o alerta para as pressões inflacionárias no segmento de educação, e prevê uma alta maior para o IPCA de fevereiro, de 0,80%, devido à alta sazonal de preços das mensalidades e materiais escolares e os efeitos do aumento já anunciado da gasolina e de passagens aéreas. Ele lembrou que os preços administrados do IPCA subiram 0,71% em janeiro, acima da expectativa da LCA, de 0,57%, e devem acelerar para 0,87%, em fevereiro.

Por: Rosana Hessel – Correio Braziliense

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